2015: 12 meses, 12 fotos

Janeiro

Marinha Grande. No inverno passado um bando de gaivotas estabeleceu-se na cidade. Na altura, ver centenas de aves a pairar sobre os prédios, ainda era uma visão algo invulgar. Entretanto, um ano volvido, elas mantém-se por cá e já fazem parte da paisagem urbana.

Fevereiro

Santa Eufémia, Leiria. Com o decorrer do inverno, à medida que perdem a sua folhagem, os carvalhos vão ficando nus. Este exemplar, no Vale do Lapedo, já tinha perdido as suas cores outonais, sobrando-lhe as galhas resultantes da deposição dos ovos de pequenas vespas.

Março

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Pinhal do Rei, Marinha Grande. A pequena Callophrys rubi é uma das primeiras borboletas a marcar a chegada da primavera ao nosso país. Com o avançar da estação a espécie desaparece, quase completamente, até ao ano seguinte.

Abril

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Pinhal do Rei, Marinha Grande. Com a primavera agora instalada em pleno, os insetos, como esta pequena abelha, exercem o seu papel insubstituível na polinização das flores. Aqui, sem descurar a limpeza das suas antenas, a abelha carrega-se de pólen numa flor de Halimium calycinum.

Maio

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Serra da Estrela, Manteigas. No Vale Glaciar do Zêzere alguns dos pequenos afluentes do rio precipitam-se entre os blocos de granito formando pequenas cascatas. A humidade constante permite que o musgo se estabeleça nas rochas, pintando-as em singulares tons de verde.

Junho

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Redinha, Pombal. Embora a Pieris rapae seja uma das borboletas mais comuns da nossa lepidopterofauna, não é, seguramente, uma das mais fáceis de fotografar. Esta, avistada no Canhão do Vale dos Poios, revelou-se bastante permissiva.

Julho

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São Cristóvão de Lafões, São Pedro do Sul. Acompanhando o curso do rio Varoso, a curiosa levada da Paradela, proporciona um percurso muito agradável em que toda a envolvente parece fazer lembrar as levadas insulares. Nos pontos em que a água represa é fácil encontrar pequenos anfíbios, como esta rã-ibérica.

Agosto

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Córdova, Espanha. Numa noite quente de agosto, as movimentadas ruas de Córdova enchem-se de turistas. Nas ruas mais sossegadas a iluminação artificial atrai uma miríade de insetos e estes, por sua vez, atraem as osgas. Nesta única parede contamos 17 destes simpáticos répteis.

Setembro

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Fataunços, Vouzela. Uma fêmea de Lluciapomaresius (um obrigado a Jorge Gutierrez pela identificação do género) faz uso do seu espigão de aspeto ameaçador para a sua singela função: a ovoposição dos ovos que garantirão uma nova geração destes belos insetos.

Outubro

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Penoita, Vouzela. A mata da Penoita é constituída, essencialmente, por árvores caducifólias. Com a chegada do outono, o verde da folhagem transforma-se numa multitude de tons de amarelo, vermelho e castanho. Neste dia, as cores outonais aliadas ao nevoeiro e ao verde do musgo resultaram numa paisagem de encantar.

Novembro

Arrimal, Porto de Mós. Com o outono no auge, uma diversidade de fungos eclode de entre a folhagem caída nas nossas matas. Aqui, fotografado à la meet your neighbours style, este cogumelo surgiu numa mata de carvalhos durante um percurso no Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.

Dezembro

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Marinha Grande. Com o ano a chegar ao fim e ideia deste post a surgir, uma análise às fotos de dezembro revelou zero imagens publicáveis. A solução foi apontar a máquina ao motivo mais à mão. Neste caso, uma natalícia natureza de plástico.

Uma tarde florida

Esta tarde saí com intenção de fotografar borboletas. Um vento persistente, porém, impediu-me de prosseguir com os meus planos. Sem grandes alternativas, tentei desviar a minha atenção para alvos mais fixos. Inevitavelmente, como sempre acontece nestes casos, fui surpreendido com a diversidade que podemos encontrar num pequeno espaço florestal. Apenas precisamos aprender a olhar!

A primeira a chamar a minha intenção foi esta minuscula flor rosa. De acordo com a minha pesquisa no flora-on, deduzo tratar-se da erva-de-são-roberto, Geranium purpureum.

Geranium purpureum Vill.
Geranium purpureum Vill.

Entretanto, logo ao lado, enquanto atravessava o leito seco de uma das ribeiras temporárias do Pinhal, outra pequena flor me chamou a atenção. Esta é um género que já conheço bem. Não vai passar do género pois não me atrevo a tentar chegar à espécie. Um Myosotis sp.

Myosotis L.
Myosotis L.

Depressa descobri não ser o único apreciador do Myosotis. Ali ao lado uma mosca banqueteia-se de néctar e, reparem, na pétala mais à direita está um pequeníssimo colêmbolo (ordem Collembola), de que só me apercebi ao ver a fotografia no computador.

Uma mosca em Myosotis

Uma flor de amarelo intenso chamou-me a atenção. Mais um género conhecido: Ranunculus. Uma pequena investigação leva-me a supor tratar-de de Ranunculus repens. Apesar de manter alguma margem de incerteza nesta identificação, o nome-comum referido pelo flora-on parece assentar-lhe muito bem: botão-de-ouro.

Ranunculus cf repens L.
Ranunculus cf repens L.

A flor seguinte foi a primeira surpresa da tarde. Embora os Cistus (estevas) sejam muitíssimo abundantes no Pinhal, eu diria que 90% deles serão Cistus salviifolius. Ver este género em rosa, chega a ser impactante entre os seus inúmeros primos brancos. Curiosamente, esta roselha, Cistus crispus, é a flor do mês no projeto BioDiversity4All, a quem já submeti o registo do local.

Cistus crispus L.
Cistus crispus L.

As Tuberaria guttata (alcar, diz o flora-on?), apareceram-me nas suas diferentes variedades, como já é habitual com a espécie.

Ainda com as Tuberaria no pensamento os meus olhos cruzam-se com outra flor, bem distinta da Tuberaria e, no entanto… Estes Halimium halimifolium foram novidade para mim. Já os terei visto, certamente, dezenas de vezes, mas nunca com a atenção que merecem. Enquanto a Tuberaria é uma pequena herbácea com 10 cm, os Halimium halimifolium são arbustos que facilmente atingem 1 m de altura. A semelhança está limitada às flores. Também eles me apareceram em duas variedades.

E, para que a confusão não se instale, o Halimium calycinum que, esse sim, sempre conheci, nasce logo ao lado. É um arbusto mais rasteiro que o seu primo.

Halimium calycinum (L.) K.Koch
Halimium calycinum (L.) K.Koch

Confuso? Ainda não acabou. É que temos também a Tuberaria lignosa

Tuberaria lignosa (Sweet) Samp.
Tuberaria lignosa (Sweet) Samp.

Para me refazer deste jogo das diferenças, viro-me para uma planta omnipresente e bem conhecida. Já a referi antes, o Cistus salviifolius.

Cistus salviifolius L.
Cistus salviifolius L.

Aproveitando que me virei para as flores brancas, fotografo esta pequena Simethis mattiazzi. Pelo menos julgo que é ela.

Simethis mattiazzi (Vand.) Sacc.
Simethis mattiazzi (Vand.) Sacc.

E as sempre bonitas Silenes não podiam faltar para compor este arranjo silvestre.

Silene scabriflora Brot.
Silene scabriflora Brot.

Entretanto, uma das mais curiosas flores da nossa região está também em floração. Falo das pútegas (Cytinus hypocistis (L.) L. ), plantas que parasitam os Cistus.

Cytinus hypocistis (L.) L.
Cytinus hypocistis (L.) L.

E, por falar em Cistus, a tarde não terminaria sem voltar um pouco de confusão com a família Cistaceae. É que nem todos os brancos que se podem observar no Pinhal são os Cistus salviifolius. Hoje encontrei também Cistus psilosepalus Sweet. Aqui fica

Cistus psilosepalus
Cistus psilosepalus Sweet

Felizmente a tarde já ia longa. Se o dia continuasse por muito mais tempo, não sei que tamanho poderia ter este post!